Agressão durante evento escolar reacende conflito entre advogado e médico em Itabatã

Mucuri (BA) — Um conflito que teria começado após um desentendimento em um hospital voltou a ganhar repercussão em Itabatã, distrito de Mucuri, no extremo sul da Bahia. Desta vez, o episódio ocorreu dentro da Escola Casa do Estudante, durante uma apresentação escolar que reunia alunos, familiares e outras pessoas da comunidade.
O caso envolve o advogado Herlon Gracindo Santos Pessoa, de 48 anos, e o médico Alessandro Jareta. A ocorrência mais recente foi registrada na noite de 27 de agosto de 2025 e está sendo apurada pela Delegacia Territorial de Mucuri.
Segundo o relato apresentado às autoridades, Herlon estava na escola para acompanhar a apresentação da filha. Por volta das 19h30, ao se dirigir à portaria para buscar um lanche para a criança, ele teria sido surpreendido por um golpe pelas costas, atingindo a região da costela esquerda.
Ainda conforme o relato do advogado e informações atribuídas a testemunhas, outros golpes teriam ocorrido na sequência. De acordo com as informações, o médico Alessandro Jareta teria se aproximado de Herlon durante a confusão, com supostas ameaças e ofensas relacionadas a um episódio anterior ocorrido no Hospital Paineiras. A situação teria sido contida pela intervenção de duas pessoas que estavam no local.
Questionamentos sobre o ambiente escolar
Além da própria denúncia de agressão, o episódio levanta uma questão que merece atenção: qual deveria ser a postura de um adulto, especialmente de um profissional da área médica, diante de uma situação de conflito dentro de uma escola e durante um evento envolvendo crianças?
Independentemente das versões apresentadas pelas partes e da conclusão da investigação, um ambiente escolar possui uma característica que não pode ser ignorada: crianças estavam presentes e familiares haviam se deslocado ao local para acompanhar uma atividade escolar.
Nesse contexto, qualquer desentendimento pessoal que tenha origem em outro ambiente — neste caso, segundo o relato, em uma unidade hospitalar — deveria ser conduzido de maneira a preservar a segurança e a tranquilidade do espaço escolar. A presença de alunos torna ainda mais relevante esclarecer o que efetivamente ocorreu, quem iniciou a confrontação e se houve algum risco para as pessoas que estavam no local.
A apuração policial deverá justamente estabelecer a dinâmica dos acontecimentos e verificar os relatos apresentados pelas pessoas que presenciaram o episódio.
Conflito teria começado em hospital
A origem da desavença remonta a 27 de junho de 2025, quando Herlon acompanhou a mãe ao Hospital Paineiras, em Itabatã, diante de uma suspeita de infarto.
De acordo com o relato feito pelo advogado à Polícia Civil, a paciente teria permanecido aproximadamente 30 minutos aguardando atendimento. Preocupado com o quadro da mãe, que, segundo ele, já havia sofrido um infarto anteriormente, Herlon teria procurado informações na recepção.
Foi nesse momento que teria ocorrido um desentendimento com o médico Alessandro Jareta, que, segundo informações levantadas pela reportagem, trabalha para a Suzano e realiza atendimentos aos sábados no hospital.
Na versão apresentada pelo advogado, o médico teria afirmado que o atendimento deveria aguardar, circunstância que teria contribuído para o agravamento da discussão. A Polícia Militar chegou a ser acionada durante o episódio, conforme os registros mencionados na apuração.
Herlon também relatou às autoridades o histórico familiar relacionado a problemas cardíacos, mencionando que seu pai morreu em dezembro de 2025 em decorrência de um infarto. A informação, contudo, deve ser considerada dentro do contexto do depoimento prestado pelo advogado.
Investigação
Os dois episódios passaram a fazer parte de uma disputa que agora está sob análise da Polícia Civil. A Delegacia Territorial de Mucuri, sob responsabilidade do delegado Daniel Márcio de Souza, deverá ouvir testemunhas indicadas no registro e analisar os elementos disponíveis para esclarecer a ocorrência dentro da escola.
Herlon declarou ter receio de sofrer novas agressões e afirmou estar preocupado com sua integridade física.
A reportagem procurou o médico Alessandro Jareta para que apresentasse sua versão sobre os fatos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O advogado também informou que prefere não acrescentar outros comentários além daqueles já apresentados às autoridades.
O caso permanece em investigação, e eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas pelas autoridades competentes a partir das provas, depoimentos e demais elementos reunidos durante a apuração.
Fonte: LiberdadeNews