“Pede Pra Sair Robertinho”. Manifestação na Câmara de Mucuri.
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA TOMA CONTA DA CÂMARA DE VEREADORES DE MUCURI: POPULAÇÃO PEDE SAÍDA DO PREFEITO E COBRA MELHORIAS URGENTES NA SAÚDE E NA EDUCAÇÃO.
Mucuri (BA), 7 de outubro de 2025 — A manhã desta terça-feira foi marcada por uma forte manifestação popular nà Câmara de Vereadores de Mucuri, onde dezenas de cidadãos se reuniram de forma pacífica para expressar a insatisfação com a atual gestão municipal.

Com cartazes, faixas e palavras de ordem, os manifestantes pediram a saída do prefeito Roberto Carlos Figueiredo Costa, o “Robertinho”, e denunciaram o abandono de serviços essenciais, especialmente na área da saúde pública. As frases mais vistas durante o protesto refletiam o sentimento de revolta e cansaço da população: “Pede pra sair, Robertinho!”, “Queremos saúde!” e “Chega de filas da morte!”.
A manifestação, apesar de pacífica, teve tom crítico e simbólico. Um dos momentos mais comentados foi a entrada de um morador fantasiado como o prefeito, em forma de caricatura, ironizando a ausência e o distanciamento da gestão diante dos problemas enfrentados pela cidade. A cena foi recebida com aplausos e risos pelos participantes, mas também com um claro tom de protesto.
De acordo com os manifestantes, o objetivo do ato foi chamar a atenção dos vereadores para que tomem uma posição mais firme diante da crise que Mucuri enfrenta. Moradores relataram dificuldades para conseguir atendimento médico, falta de medicamentos e precariedade nos postos de saúde, além de denúncias de descaso com o transporte escolar e com os serviços básicos.

“Estamos cansados de promessas e discursos. Queremos ação, queremos respeito e queremos um prefeito que olhe para o povo”, disse uma das manifestantes ao microfone.
A manifestação desta terça-feira reforça o crescimento do descontentamento popular e demonstra que a paciência da população está chegando ao limite. Mucuri, que já enfrenta problemas financeiros e administrativos, agora vê sua voz nas ruas pedindo mudanças urgentes — e, acima de tudo, respeito e transparência no uso dos recursos públicos.
Enquanto a gestão municipal admite publicamente enfrentar uma grave crise financeira, com dívidas que, segundo a própria assessoria do prefeito Roberto Carlos Figueiredo Costa, já colocam o município à beira da falência, a Câmara de Vereadores de Mucuri segue em silêncio preocupante.
Em um momento em que se esperava atuação firme e fiscalizadora do Legislativo, a postura predominante tem sido de omissão. Nenhum posicionamento concreto foi tomado diante das denúncias de precariedade nos serviços públicos, da paralisação do transporte escolar e da situação crítica da saúde municipal — marcada por longas filas, falta de medicamentos e unidades básicas sem estrutura adequada.

A função essencial da Câmara, prevista na Constituição e nas leis municipais, é justamente fiscalizar o Executivo, garantindo que o dinheiro público seja usado com transparência e eficiência. No entanto, em Mucuri, a sensação entre os cidadãos é de que o Legislativo tem atuado mais como aliado político do prefeito do que como representante dos interesses da população.
“O povo sofre, os serviços básicos estão em colapso, e os vereadores fingem que nada acontece”, comentou um morador durante a manifestação realizada hoje em frente à Câmara.
A falta de iniciativas — como pedidos de informação, abertura de comissões ou audiências públicas — revela um cenário de inércia política que aprofunda ainda mais o descrédito das instituições locais. Enquanto isso, o discurso oficial da gestão tenta justificar o caos atual como herança de administrações anteriores, sem apresentar soluções concretas ou planos de recuperação econômica.
Para muitos moradores, o silêncio da Câmara é cúmplice. Em tempos de crise, espera-se do Legislativo municipal uma postura de independência, cobrança e transparência, e não a acomodação que hoje domina o cenário político mucuriense.

A crise financeira de Mucuri pode ter múltiplas causas, mas a falta de fiscalização e de coragem política para enfrentar a verdade é, sem dúvida, uma das mais graves.