Pais protestam contra fechamento da Escola Ruth Nascimento de Jesus, enquanto novo cronograma de matrículas expõe falhas no transporte escolar de Mucuri

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Mucuri, BA — A divulgação do novo cronograma de matrículas da rede municipal de ensino, publicada pela Secretaria de Educação de Mucuri, reacendeu um problema que há meses preocupa pais e alunos: o fechamento da Escola Municipal Ruth Nascimento (Cimetal) e o consequente deslocamento forçado de dezenas de crianças para outras unidades escolares, em trajeto feito por estradas de terra em condições precárias.

Embora o documento oficial apresente datas, horários e organização das matrículas para o ano letivo de 2026, o que mais gerou indignação entre as famílias foi o trecho que determina que todas as rematrículas e matrículas da antiga Escola Ruth serão redirecionadas para outras instituições, como a Escola Ismar Teixeira Guedes e a Escola de Tempo Integral Francisca Cândido Firmino. Esses procedimentos devem ser feitos exclusivamente no Núcleo de Ensino do Campo, localizado na sede da Secretaria.

A comunidade reage: “Não vamos aceitar perder nossa escola”

Documento oficial da prefeitura de Mucuri

O fechamento da Escola Ruth tem provocado revolta. Pais, moradores e lideranças da comunidade estão mobilizados e já iniciaram um abaixo-assinado que ultrapassa 200 assinaturas, pedindo a imediata reversão da decisão.

As famílias afirmam que a escola representa não apenas um espaço educacional, mas um ponto de segurança e proximidade — algo garantido pela própria Constituição Federal, que assegura a toda criança o direito de estudar perto de casa, especialmente quando se trata de crianças pequenas e moradoras de regiões rurais.

Deslocamento difícil e perigoso por estradas de terra

Com o fechamento da unidade, os alunos agora dependem exclusivamente do transporte escolar para chegar às escolas designadas. O problema é que o trajeto é feito por longas estradas de terra, que em épocas de chuva ficam intrafegáveis, cheias de lama, buracos e pontos de risco.

Pais relatam que:

ônibus frequentemente atrasam ou não passam, veículos quebram devido às más condições das estradas, crianças chegam sujas, molhadas ou com atrasos significativos, e alguns alunos ficam dias sem aula, porque o transporte não consegue chegar.

A situação se agrava com a falta de manutenção adequada da frota, tema recorrente nas reclamações da comunidade. Nos últimos meses, diversos moradores denunciaram veículos sucateados, pneus carecas, falta de monitores e superlotação — problemas que comprometem diretamente a segurança das crianças.

Cronograma de matrículas expõe contradições na política de educação do município

O novo cronograma divulgado pela Prefeitura ressalta prioridade para educação especial, atendimento no turno noturno para EJA e datas unificadas para matrícula urbana e rural. Na teoria, o calendário demonstra organização.

No entanto, na prática, pais enxergam uma contradição: enquanto a gestão anuncia políticas de inclusão e acesso, a própria pasta promove o fechamento de uma escola essencial para uma comunidade rural, obrigando crianças a percorrer trajetos longos, cansativos e arriscados.

Segundo moradores, “não basta anunciar matrícula; é preciso garantir que as crianças possam chegar à escola”.

Pais cobram diálogo e respeito

As famílias pedem que:

a Escola Ruth seja reaberta, o transporte escolar seja regularizado e qualificado, e que a Prefeitura retome o diálogo com a comunidade afetada.

Para eles, a portaria ignora a realidade dos alunos do campo e desconsidera o impacto social e emocional do fechamento da escola.

“Direito constitucional não se negocia”

Especialistas lembram que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e diretrizes da Constituição Federal reforçam o dever do poder público em garantir acesso facilitado à educação, assegurando que crianças estudem próximo de suas residências sempre que possível — princípio fundamental em áreas rurais.

Para os pais, o fechamento da Escola Ruth viola justamente esse direito básico.