“Farra dos cargos na câmara de Mucuri”: vereadores aprovam novos cargos e reajustes mesmo diante da maior crise financeira da história!

“Farra dos cargos na câmara de Mucuri”: vereadores aprovam novos cargos e reajustes mesmo diante da maior crise financeira da história!

Câmara de Mucuri aprova novos cargos e reajustes mesmo após anúncio de crise financeira

Enquanto o prefeito declara que o município está “à beira da falência”, vereadores ampliam despesas com salários e cargos de confiança

A cidade de Mucuri vive um cenário de contradições. Poucos dias após o prefeito Roberto Carlos Figueiredo Costa afirmar que o município enfrenta uma grave crise financeira, com dívidas bilionárias e risco de colapso nos serviços públicos, a Câmara Municipal aprovou a Lei Complementar nº 087/2025, que cria cargos, promove reajustes e amplia os gastos com a folha de pagamento.

Entre as medidas, está o reajuste de 4,77% nos salários dos servidores do Legislativo a partir de janeiro de 2026, além da extinção de cargos jurídicos para substituição por novas funções comissionadas, como o de Assessor Legislativo e Assessor Especial de Comissões Parlamentares. Esses cargos de confiança, geralmente preenchidos por indicações políticas, representam aumento expressivo nos custos do Parlamento municipal.

Outro ponto polêmico é a aprovação de um plano de carreira para Procuradores Jurídicos, que estabelece salário inicial de R$ 9.100,00, com progressão automática de 10% em cada classe, podendo ultrapassar rapidamente os R$ 12 mil. Para um município que alega estar à beira da falência, a medida soa como um contrassenso administrativo.

Apesar da gravidade da situação, nenhum vereador se posicionou publicamente sobre o impacto financeiro dessas mudanças. O silêncio do Legislativo reforça a percepção de que há uma desconexão entre o discurso da crise e a prática política.

Enquanto a população enfrenta problemas em saúde, educação e infraestrutura, a Câmara Municipal atua como se houvesse estabilidade econômica, reorganizando sua estrutura interna e garantindo benefícios para cargos de alto custo.

Para especialistas em gestão pública, a atitude revela uma inversão de prioridades: ao invés de adotar medidas de contenção de gastos e fiscalizar a gestão do Executivo, a Casa Legislativa se concentra em aumentar sua própria despesa, distante da realidade enfrentada pelos moradores de Mucuri.

A incoerência entre o anúncio de falência pelo prefeito e a expansão da máquina legislativa reforça a crise de confiança da população em suas lideranças políticas, que parecem não compartilhar do mesmo peso da crise que atinge o município.
Enquanto isso, a população enfrenta dificuldades básicas.

Em um vídeo publicado por um cidadão nas redes sociais, sua filha faz um apelo comovente: que o transporte escolar do município volte a funcionar. Alunos das zonas rurais de Mucuri estão há dias sem transporte para estudar, sendo privados do direito fundamental à educação. A cena escancara a dura realidade de famílias que dependem de serviços públicos essenciais, mas se deparam com o abandono e a omissão do poder público.

A contradição é gritante: de um lado, vereadores aprovam leis que incham a máquina pública e garantem altos salários a poucos privilegiados; do outro, crianças ficam sem poder frequentar a escola por falta de um transporte básico.

Essa disparidade revela um grave problema de prioridades políticas. Em vez de direcionar esforços e recursos para garantir o mínimo — como educação, saúde e transporte —, a gestão municipal e o Legislativo escolhem investir em cargos comissionados, reajustes e planos de carreira caros, reforçando a sensação de que a crise atinge apenas os mais pobres, nunca os que detêm o poder.

A incoerência entre o discurso de falência do Executivo e a expansão de gastos pelo Legislativo expõe não apenas uma má gestão, mas uma falta de compromisso com o interesse público. Enquanto a população sofre com serviços paralisados, os representantes políticos de Mucuri demonstram que suas prioridades estão muito distantes da realidade do povo.

Atlântico News / DA REDAÇÃO