Gestante denuncia omissão e relata descaso após carregar feto sem vida por duas semanas em Mucuri

Gestante denuncia omissão e relata descaso após carregar feto sem vida por duas semanas em Mucuri

Uma gestante de quatro meses denuncia descaso na saúde do município de Mucuri após descobrir que carregava um feto sem vida há cerca de duas semanas. Segundo a jovem, que pediu para não ser identificada, ela procurou a unidade no início desta semana, mas não conseguiu transferência para Teixeira de Freitas para realizar o procedimento de retirada.

De acordo com o relato, a vaga para atendimento especializado foi negada. A orientação recebida teria sido para retornar para casa e aguardar até 45 dias para que o próprio corpo expulsasse o feto naturalmente. A recomendação revoltou familiares e causou ainda mais sofrimento à gestante, que já enfrentava o luto pela perda da filha.

Sem suporte do município, a jovem decidiu viajar por conta própria até Teixeira de Freitas em busca de atendimento. Segundo ela, atualmente Mucuri não está realizando procedimentos cirúrgicos dessa natureza, deixando pacientes dependentes de transferência para outras cidades.

Sofrimento prolongado e riscos à saúde

Além do trauma emocional de permanecer com a filha sem vida no ventre, a demora no procedimento pode trazer riscos clínicos. Embora em alguns casos a conduta expectante seja adotada, especialistas ressaltam que a paciente precisa de acompanhamento rigoroso, exames frequentes e suporte psicológico — algo que, segundo a denúncia, não foi oferecido.

A permanência prolongada de um feto sem vida pode aumentar o risco de infecções uterinas, hemorragias e outras complicações, além de agravar o estado psicológico da mãe. O luto, que já é um processo delicado, torna-se ainda mais cruel quando há sensação de abandono por parte do poder público.

O caso levanta questionamentos sobre a estrutura da rede municipal de saúde e sobre a responsabilidade do município em garantir atendimento humanizado e seguro, especialmente em situações de alta vulnerabilidade.

Até o momento, não houve posicionamento oficial da unidade de saúde, do secretário de saúde Fernando Jardim, do prefeito de Mucuri Roberto Carlos Figueiredo Costa, conhecido popularmente como “Robertinho” ou da gestão municipal sobre a denúncia. Enquanto isso, a jovem enfrenta não apenas a dor da perda, mas também a indignação por precisar lutar por um atendimento básico em meio a um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Atlântico News / REDAÇÃO