Padaria investigada por elo com o PCC levou 14 multas trabalhistas em 5 meses.

Padaria investigada por elo com o PCC levou 14 multas trabalhistas em 5 meses.

A relação da padaria com o PCC é apontada pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) no âmbito da Operação Carbono Oculto
Imagem: Rodrigo Bento/Repórter Brasil
Ponto conhecido de frequentadores de Santa Cecília e Barra Funda, bairros centrais da capital paulista, a Padaria Iracema causou espanto entre clientes ao ter seu nome mencionado como uma possível lavanderia de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). O caso veio à tona na Operação Carbono

Oculto, deflagrada no final de agosto.

Os problemas associados à padaria, que conta com cerca de 160 funcionários e funciona 24 horas por dia, não param por aí. Entre janeiro e maio deste ano, o estabelecimento foi alvo de uma ampla fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

A operação constatou uma gama de irregularidades, como horas extras acima do limite permitido, expedientes aos domingos sem as devidas folgas e pagamento de salários diferentes para pessoas com as mesmas funções. No total, 14 autos de infração foram lavrados pelos auditores fiscais.

A relação com o PCC é apontada pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) no âmbito da Operação Carbono Oculto, realizada em conjunto com autoridades federais. O inquérito revela a infiltração do crime organizado em toda a cadeia de produção e adulteração de combustíveis, além de fraudes fiscais e uso de fintechs e empresas de outros setores, como padarias, para ocultação de patrimônio ilegal.

Oito meses antes, auditores fiscais do Ministério do Trabalho já tinham a impressão de que algo estranho acontecia na Iracema. “O silêncio dos trabalhadores no momento da fiscalização é algo normal, mas nos corredores a gente sentiu um clima um pouco árido, um pouco pesado, um pouco diferente do que a gente encontrava normalmente nas empresas”, disse à Repórter Brasil um dos auditores fiscais.

Padaria tem como sócia uma moradora de Sergipe que recebe Bolsa Família

No total, a fiscalização gerou 14 autos de infração por violações trabalhistas. Para os auditores, isso demonstra um “diagnóstico de condições graves”.

Os documentos obtidos pela Repórter Brasil são referentes a dois CNPJs vinculados à padaria: Iracema da Angélica Pães e Doces Ltda. e Confeitaria e Rotisseria Iracema Ltda.

Desde 2023, ambas têm como sócia Maria Edenize Gomes, moradora de Santo Amaro de Brotas, em Sergipe. O município tem pouco mais de 11 mil habitantes, segundo o Censo de 2022. A mulher é vizinha de outra pessoa já apontada em operações anteriores como agente de ocultação de bens do PCC. Para os investigadores da Operação Carbono Oculto, Maria é uma possível “laranja”.

Também em 2023, o empresário Tharek Majide Bannout, um dos principais alvos da operação e dono de várias empresas de combustíveis ligadas ao PCC, segundo o MP, abriu um CNPJ no mesmo endereço da padaria, com nome semelhante ao do estabelecimento: Nova Iracema Pães e Doces Ltda.

Em consulta ao Portal da Transparência do governo federal, a Repórter Brasil identificou pelo número do CPF de Maria Edenize Gomes benefícios sociais atrelados ao seu nome, como Bolsa Família (desde 2013), Auxílio Brasil (2021-2023) e Auxílio Emergencial (2020-2021).

Para os investigadores, o perfil de Maria Edenize Gomes é incompatível com o de uma sócia de um empreendimento com cerca de 160 funcionários

Fonte: UOL NOTÍCIAS.

Atlântico News / DA REDAÇÃO