Primeiro mandato, dono de loja de autopeças: quem é Binho Galinha, deputado apontado como chefe de grupo miliciano na Bahia

Primeiro mandato, dono de loja de autopeças: quem é Binho Galinha, deputado apontado como chefe de grupo miliciano na Bahia

Kleber Cristian Escolano de Almeida é procurado pela Polícia Federal. Filho e esposa do parlamentar, além de outras sete pessoas, entre elas quatro PMs, foram presas nesta quarta-feira (1°). 

O deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD), é apontado pela Polícia Federal como suspeito de chefiar uma milícia em Feira de Santana, cidade a 100 km de Salvador. Ele é procurado pela instituição nesta quarta-feira (1°), em operação que já terminou com as prisões da esposa e do filho dele, além de outras seis pessoas, entre elas quatro policiais.

Segundo as investigações da Polícia Federal, o grupo comandado por Binho Galinha é especializado em lavagem de dinheiro oriundo de jogo do bicho, agiotagem, extorsão, receptação qualificada, entre outras infrações penais.

Kleber Cristian tem 47 anos, nasceu na cidade de Milagres, a 245 km de Salvador, mas mora em feira de Santana há mais de 30 anos. O deputado ganhou o apelido “Binho Galinha”, porque já trabalhou em um abatedouro entregando aves.

Em 2022 foi eleito pela primeira vez como deputado estadual, pelo partido Patriota. Na época, recebeu 49.834 votos e foi o segundo mais votado de Feira de Santana.

Binho Galinha é suspeito de lavagem de dinheiro — Foto: Redes sociais

Binho Galinha é suspeito de lavagem de dinheiro — Foto: Redes sociais 

Após ser eleito, em 2023 o deputado se tornou vice-líder do bloco parlamentar dos partidos MDB/PSB/Patriota/PSC/Avante.

No site da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Binho Galinha se considera empresário. Ele tem imóveis na cidade de Feira de Santana e outros municípios vizinhos.

Em nota, a presidente da Alba, deputada Ivana Bastos, informou que, assim que a Casa Legislativa for oficialmente notificada, adotará medidas internas cabíveis, em observância à Constituição, às leis e ao regimento interno.

Disse ainda que assim que houver ciência oficial, o Conselho de Ética será acionado para analisar o caso de forma objetiva.

Participação em lavagem de dinheiro

Segundo a denúncia do MP-BA, a investigação apontou que Binho Galinha lavava dinheiro por meio de empresas e vendia peças de carro roubadas na loja sua loja de autopeças, Tend Tudo, em Feira de Santana.

A Polícia Federal analisou dados bancários e descobriu que a Tend Tudo recebeu R$ 40,7 milhões sem lastro suficiente de notas fiscais emitidas.

Os auditores avaliaram que há indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada pela loja de autopeças.

A Tend Tudo ainda recebeu créditos de outras duas pessoas que tinham registros criminais de receptação qualificada e organização criminosa.

Em 2020, a empresa emitiu nota fiscal no valor de R$ 3 milhões por causa da venda de mil cabines de caminhão, cada uma com valor de R$ 3 mil. Os auditores apontaram que não existia comprovação da entrada dos recursos na empresa e que não há vestígios de compra de cabines suficientes para revenda ou de material para a fabricação.

Elos na recepção das peças roubadas

Um dos elos na receptação de peças roubadas seria Kleber Herculano de Jesus, conhecido como “Compadre Charutinho”. As investigações apontaram que o denunciado seria o responsável pela aquisição das peças vendidas para Tend Tudo, comandada por Binho Galinha e Mayana Cerqueira.

“Compadre Charuto”, conforme a denúncia do MP-BA, tinha um “vasto histórico” de crimes contra o patrimônio e relação próxima com o deputado Binho Galinha.

O grupo comandado por Binho Galinha ainda tinha um “braço armado” formado por policiais.

Nesta quarta-feira (1°), nove pessoas, entre elas quatro policiais militares, foram presas em Feira de Santana, durante uma operação contra o grupo comandado pelo deputado.

Entre os alvos presos estão a esposa do parlamentar, Mayana Cerqueira da Silva, e o filho João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano. Eles chegaram a ser presos em 2023, mas foram soltos em abril de 2024.

parlamentar foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), em fevereiro, apontado como chefe de uma organização criminosa que atua na região de Feira de Santana há mais de uma década. Ele nega as acusações. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a operação “Estado Anômico” é um desdobramento da“Operação El Patrón”, deflagrada em dezembro de 2023, que já resultou em denúncias do MP-BA contra 15 pessoas, incluindo o deputado e familiares.

As investigações apontaram que mesmo sob medidas cautelares, o parlamentar manteve a chefia do grupo, utilizando empresas de fachada e “laranjas” para movimentar recursos.

Participam da operação 100 policiais, 11 auditores-fiscais e três analistas tributários da Receita Federal.

Fonte: G1

Atlântico News / DA REDAÇÃO