Caso de maus-tratos em Mucuri reacende debate sobre o cuidado com animais na região
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No dia 20 de agosto, o delegado titular da Delegacia Territorial de Mucuri, Daniel Sousa, cumpriu uma diligência referente a maus-tratos no município. De acordo com o delegado, um cachorro que se encontrava em estado grave de desnutrição, abandono e infestado por parasitas foi resgatado de um local completamente insalubre. O animal estava aprisionado e contido por uma corrente, em um local onde não tinha acesso a água potável e a comida fornecida estava estragada.
O jornalista e radialista Beto Ramos foi, juntamente com o delegado e os protetores de animais do município, realizar o resgate e gravou toda a ação.


O animal foi encaminhado a um abrigo no município, mantido pelos Protetores Mucuri.
Ao chegar ao abrigo, o delegado e o jornalista se depararam com um triste cenário. A veterinária que presta ajuda social ao abrigo, doutora Marina Martinelli, fez um relato comovente sobre a situação em que os animais abrigados se encontram.


Em seu relato, a doutora Marina informou que 50% dos gatos morreram devido a uma forte gripe felina que se alastrou por todo o abrigo. Devido à falta de locais apropriados para realizar uma quarentena dos animais infectados e separá-los dos animais saudáveis, eles não conseguem conter a infecção do vírus. Eles também se encontram com escassez de medicamentos para o tratamento de várias doenças e falta frequente de alimento para os cães e gatos.


Este abrigo existe há mais de 10 anos e, há apenas dois anos, conseguiu se transformar em uma ONG, administrada pelas protetoras Lúcia, Vilma, Simone, Lene, entre outras pessoas da comunidade que contribuem para a manutenção e o custeio das despesas. Essa situação tem gerado uma preocupação relevante quanto ao futuro do abrigo, que atualmente acolhe cerca de 20 cães e 80 gatos.
É de extrema importância que as políticas públicas municipais adotem programas de castração em massa dos animais, ações de incentivo à adoção por parte da população e conscientização sobre o não abandono e os cuidados com os mesmos. Isso diminuiria a quantidade de animais abandonados e a sobrecarga do abrigo criado pelos Protetores Mucuri.
Hoje, o abrigo se encontra localizado atrás da antiga quadra de esportes do município, ao lado da Câmara de Vereadores, espaço esse cedido pela Prefeitura Municipal de Mucuri. Porém, o local não possui uma estrutura adequada para comportar todos os animais resgatados com qualidade.

Recentemente, os protetores conseguiram efetuar a compra de um terreno para a construção de um local adequado para abrigar os animais abandonados. Porém, precisam da ajuda do poder público para que consigam arrecadar os valores necessários para sua construção.
Essa é uma causa nobre! O cuidado com animais em situação de rua é importante, pois também ajuda no controle de zoonoses, que podem ser transmitidas aos seres humanos. A população de Mucuri também tem relatado diversos casos de ataques de animais soltos nas ruas e transtornos causados pelos mesmos. As iniciativas de castração ajudam a controlar a população de animais soltos pela cidade, e isso é um problema que tem se tornado cada dia mais preocupante na região.

O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o entendimento de que os municípios têm a obrigação constitucional de garantir o acolhimento, a proteção e o atendimento veterinário a cães e gatos abandonados ou vítimas de maus-tratos.
Baseada no artigo 225 da Constituição Federal, a decisão reforça que o cuidado com os animais de rua não é opcional, mas um dever jurídico das prefeituras. Com isso, o poder público local fica impedido de transferir essa responsabilidade exclusivamente para ONGs e protetores independentes. Esperamos que iniciativas como essas mudem o cenário referente a causa animal no Município de Mucuri e que elas obtenham, o mais rápido possível, a ajuda do poder público.
Ajude os Protetores Mucuri fazendo doações!
Pix para doação: 50.684.465/0001-87
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Fonte e imagens: Beto Ramos