Interpol oferece apoio nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão
A Interpol colocou recursos de cooperação internacional à disposição das autoridades para auxiliar na localização de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, irmãos que estão desaparecidos desde janeiro, em Bacabal, no Maranhão.

A informação foi divulgada pela advogada Nathaly Moraes, que representa Clarice Cardoso, mãe das duas crianças. Segundo ela, a família recebeu um comunicado do Núcleo de Cooperação Internacional informando sobre a possibilidade de utilização das ferramentas da organização nas investigações.

“Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, afirmou a advogada.
O envolvimento da Interpol não significa, porém, que Ágatha e Allan tenham sido localizados. Também não há confirmação de que os irmãos estejam entre as 163 crianças resgatadas durante uma operação realizada nos Estados Unidos na semana passada.
Após o contato com a organização internacional, Nathaly e Clarice estiveram com representantes da Polícia Federal para tratar dos próximos passos da investigação. O encontro ocorreu em São Luís e também envolveu a coleta de informações e material que podem contribuir para o trabalho da Interpol.
A advogada afirmou ainda que já havia pedido a transferência da investigação da Polícia Civil para a Polícia Federal. Segundo ela, existe a possibilidade de que o desaparecimento esteja relacionado a tráfico humano.
De acordo com Nathaly, a Polícia Federal informou que os dados das crianças ainda não haviam sido incluídos nas divisões amarela e azul da Interpol. Isso teria ocorrido porque, segundo a PF, solicitações feitas à Polícia Civil não haviam sido respondidas.
A divisão amarela da Interpol é utilizada para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, enquanto a divisão azul permite o compartilhamento de informações policiais entre os países.
A advogada também relatou que já havia sido coletado material genético de Clarice na residência da família, mas que esse material não teria sido inserido em um banco de dados. Uma nova coleta foi realizada durante a reunião com a Polícia Federal.
A intenção é utilizar o material genético da mãe em possíveis cruzamentos com amostras obtidas durante investigações nos Estados Unidos. Até o momento, entretanto, não existe confirmação de que as crianças tenham sido levadas para o país.
Mesmo sem informações concretas sobre o paradeiro dos filhos, Clarice mantém a esperança de encontrá-los com vida.
“Tenho fé que serão encontrados o mais rápido possível. Estou ansiosa”, declarou.
Segundo a advogada, a obtenção do material genético também é importante porque Ágatha e Allan não possuíam documentos de identidade e, por isso, não contam com registros nas bases digitais que poderiam facilitar a identificação.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que as buscas pelos irmãos continuam. O órgão, porém, não divulgou detalhes sobre a investigação, que tramita sob segredo de Justiça.
A SSP também pediu cautela diante da circulação de informações não confirmadas sobre o caso, destacando que conteúdos falsos podem atrapalhar o trabalho das autoridades e aumentar o sofrimento dos familiares.