Sete corpos encontrados em diferentes regiões de São Paulo levantam hipóteses sobre possível ligação entre crimes

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Casos ocorreram entre 5 de setembro e 2 de outubro e apresentam semelhanças na forma de ocultação das vítimas; Polícia Civil afirma que, até o momento, não há elementos que comprovem a ação de um mesmo criminoso

Sete corpos encontrados em diferentes regiões da capital paulista, em menos de um mês, colocaram a Polícia Civil de São Paulo diante de uma sequência de crimes que chama atenção pela maneira como algumas das vítimas foram descartadas.

Os casos ocorreram entre 5 de setembro e 2 de outubro, nas zonas Sul, Norte e Leste da capital. Em diferentes ocorrências, os corpos estavam dentro de sacos plásticos, cobertores ou lençóis. Alguns também foram encontrados amarrados e abandonados em locais públicos ou de difícil acesso.

A repetição de alguns desses elementos passou a alimentar questionamentos: haveria uma conexão entre os crimes?

Entre as hipóteses que circulam está a possibilidade de atuação de um serial killer. Outra especulação considera uma eventual participação de integrantes do crime organizado, inclusive em uma possível dinâmica conhecida como “tribunal do crime”.

Até o momento, porém, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada pela Polícia Civil.

Segundo as informações disponíveis, a investigação não encontrou elementos suficientes para afirmar que os crimes tenham sido cometidos por uma única pessoa. A possibilidade de atuação do crime organizado também não está descartada.

Uma sequência que chama atenção

O primeiro caso ocorreu em 5 de setembro, no Jabaquara, zona Sul de São Paulo.

Garis que trabalhavam na região encontraram um corpo amarrado e colocado dentro de um saco plástico na Rua Contos Gauchescos.

O caso passou a ser investigado pelo 16º DP (Vila Clementino).

Cinco dias depois, em 10 de setembro, dois cadáveres foram encontrados na zona Leste. A distância entre os locais era de aproximadamente três quilômetros.

Na Vila Chuca, um corpo foi localizado enrolado em um cobertor e colocado dentro de um saco plástico.

No mesmo dia, na Vila Colônia, outro cadáver foi encontrado. A vítima estava amarrada e enrolada em um cobertor, enquanto a cabeça estava coberta por sacos plásticos.

Nesse segundo caso, não foi possível identificar inicialmente a fisionomia ou o sexo da vítima, nem verificar se havia algum ferimento aparente.

A ocorrência também foi registrada no 53º DP.

Corpo esquartejado e dividido em sacolas

A sequência ganhou outro capítulo em 19 de setembro, quando a Polícia Militar encontrou um corpo esquartejado e dividido em sacolas plásticas no Jaçanã, zona Norte.

Os policiais constataram que se tratava de um homem, mas partes importantes para a identificação da vítima, como a cabeça e as mãos, não estavam no local.

Uma mulher procurou a Polícia Militar e afirmou que o corpo poderia ser de um sobrinho que estava desaparecido.

A suspeita acabou confirmada pela polícia.

Posteriormente, outras partes do corpo foram localizadas, assim como roupas e uma faca.

O caso é investigado pelo 73º DP.

Novos casos na zona Sul

Em 25 de setembro, outro corpo foi encontrado na capital.

Desta vez, a vítima estava enrolada em um lençol e havia sido abandonada em uma via da Vila Andrade, na zona Sul.

A ocorrência foi registrada como homicídio no 37º DP (Campo Limpo).

Dois dias depois, em 27 de setembro, uma cabeça humana, aparentemente pertencente a um homem, foi encontrada enrolada em um lençol na Avenida Guido Caloi, no bairro do Jardim São Luís, também na zona Sul.

Posteriormente, a aproximadamente 21 quilômetros do local, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, um corpo foi localizado sem a cabeça.

A proximidade entre alguns desses episódios e a forma de descarte das vítimas naturalmente passou a ser observada nas investigações e também chamou a atenção de pessoas que acompanham os casos.

Ainda assim, sem a conclusão das perícias e das investigações, não é possível afirmar que os episódios estejam relacionados.

Último caso ocorreu no Parque Ecológico do Tietê

O episódio mais recente aconteceu em 2 de outubro.

Um homem ainda não identificado foi encontrado morto dentro de um saco plástico no Parque Ecológico do Tietê, na zona Leste da capital, próximo ao CT do Corinthians.

Equipes da Polícia Militar localizaram o cadáver na ciclovia da Via Parque.

A vítima estava com braços e pernas amarrados com fita adesiva.

O caso passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Serial killer ou crimes sem relação?

É justamente a repetição de alguns padrões que abriu espaço para diferentes hipóteses.

Corpos escondidos em sacos plásticos, vítimas enroladas em cobertores ou lençóis, membros amarrados e cadáveres abandonados em regiões distintas da cidade são elementos que, isoladamente, não comprovam uma conexão.

Mas, quando aparecem em uma sequência de ocorrências próximas no tempo, acabam despertando a atenção das autoridades e alimentando especulações.

Uma das possibilidades levantadas é a atuação de um serial killer, hipótese que dependeria da identificação de um padrão criminal e de elementos que possam vincular as vítimas a um mesmo autor.

Outra linha de especulação envolve uma possível atuação do crime organizado, especialmente diante da maneira como algumas vítimas foram ocultadas ou tiveram os corpos fragmentados.

Nesse cenário, também surgem comentários sobre os chamados “tribunais do crime”. Entretanto, essa possibilidade não pode ser tratada como conclusão sem evidências que demonstrem a participação de organizações criminosas nos casos.

O que as investigações precisam esclarecer

Mais do que a semelhança na maneira como os corpos foram encontrados, as investigações deverão buscar respostas para questões fundamentais: quem eram as vítimas, quais eram suas relações entre si, onde ocorreram efetivamente os homicídios e se existe algum elemento comum entre os crimes.

Exames periciais, identificação das vítimas, análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros elementos de investigação poderão ajudar a determinar se existe ou não uma conexão entre os episódios.

Por enquanto, o que existe é uma sequência de sete corpos encontrados entre 5 de setembro e 2 de outubro, em diferentes pontos da capital paulista, com algumas características semelhantes na forma de ocultação.

A hipótese de um único criminoso permanece no campo da especulação, assim como uma eventual ligação com o crime organizado.

A Polícia Civil ainda precisa estabelecer se está diante de uma série de crimes conectados ou de ocorrências distintas que, apesar das semelhanças, não possuem necessariamente a mesma autoria.

Até que as investigações avancem, qualquer conclusão sobre a existência de um serial killer ou de um “tribunal do crime” seria prematura.